Metro de Lisboa: linha circular é uma “má decisão” e fundos europeus devem ser reprogramados
Os deputados do PSD questionaram o Ministro do Ambiente e da Ação Climática.
Carlos Silva repudiou as “insólitas” declarações do Ministro do Ambiente e da Ação Climática que, em pleno estado de emergência, veio insistir no plano de linha circular do metro em Lisboa. “Pareceu-nos até ridículo que, em plena pandemia, o senhor Ministro aproveitasse o argumento da recuperação económica para, nas costas do Parlamento, sem qualquer escrutínio público, avançar com um projeto sobre o qual o governo está profundamente errado.”
Na audição do governante na Assembleia da República, Carlos Silva criticou a postura de um Ministro que persiste em argumentos derrotados no Parlamento, com apoio unânime de todos os partidos, inclusive com o apoio dos deputados socialistas do distrito de Lisboa. “Insiste em argumentos que não colhem qualquer opinião favorável na sociedade civil, nos trabalhadores do metro e nas comissões de utentes”, adiantou o deputado.
No entender do social-democrata, a “vontade obsessiva” do Ministro em implementar o projeto da “linha circular é uma má decisão”, quer a nível financeiro, quer a nível da mobilidade.
Carlos Silva assinalou ainda a “má-fé” das declarações do Ministro do Ambiente, por este ter referido que os fundos europeus alocados a esta obra não poderiam ser reprogramados. “As declarações do senhor ministro revestiram-se de má-fé. Após as palavras da senhora Presidente da Comissão Europeia e da senhora Comissária Europeia Elisa Ferreira, ficámos com todas as certezas: os fundos europeus podiam ser reprogramados e, como tal, as declarações das senhoras comissárias desmentiram-no. Por isso, ficamos espantados que o governo não aproveite estes fundos para serem reprogramados face à situação de imensa incerteza que vivemos hoje no país”.
O Ministro que menos fez pelo metropolitano de Lisboa desde o 25 de abril
Filipa Roseta enfatizou que a opção do PSD passaria por cumprir a Lei. “O PSD seguiria a Lei do Ordenamento do Território, que diz que quem regula a definição dos transportes é o Plano Regional de Ordenamento do Território da área Metropolitana de Lisboa, onde este projeto não consta”.
Segundo a social-democrata, se o governo quisesse alterar este sistema, o Ministro deveria ter feito um plano de todos os modos de transporte da área metropolitana de Lisboa, algo que o executivo não fez.
Para a deputada, a Lei do Ordenamento do Território é muito importante, porque cada vez que alteramos a posição de uma estação alteramos o valor deste terreno, portanto “é importante que isto seja muito transparente”.
Depois de recordar que o anterior executivo do PSD abriu 5 estações de metro em Lisboa, a Filipa Roseta concluiu a sua intervenção afirmando que o atual Ministro “vai ser o que menos fez pelo metropolitano de Lisboa desde o 25 de abril.”
Já Sandra Pereira recordou que o Primeiro-Ministro esteve em Odivelas, durante a campanha eleitoral, a congratular-se pelo acesso direto de Odivelas ao centro da cidade de Lisboa. Contudo, recorda a deputada, nessa altura já o projeto da linha circular existia, tendo António Costa ocultado isso aos odivelenses.
Tendo em conta as dificuldades que afetam os operadores de transporte rodoviário de passageiros, Jorge Mendes questionou ao Ministro do Ambiente e da Ação Climática se o metropolitano de Lisboa terá capacidade de dar resposta a esses passageiros.
“Andar de sardinhas em lata antes do COVID-19 era uma questão e desconforto, agora passou a ser uma questão de saúde pública", referem os deputados do PSD.
Hugo Carvalho lamenta que os portugueses estejam a ser expostos a um “espetáculo de contradições” entre o Primeiro-Ministro e o Ministro das Infraestruturas.
Carlos Silva lembra que os transportes públicos na zona da Grande Lisboa ” já estavam em rutura antes da pandemia e, neste momento, as coisas estão verdadeiramente más.”
Os deputados do PSD eleitos pelo círculo de Lisboa pedem explicações ao Governo sobre a competência de fiscalização das condições de habitabilidade deste Hostel.