O Parlamento realizou, esta terça-feira, o debate preparatório do Conselho Europeu com a participação do Primeiro-Ministro. Na sua intervenção, Isabel Meirelles recordou que a Cimeira de Beja, subscrita por 15 dos 17 Amigos da Coesão, trouxe a conclusão que o financiamento do Quadro Comunitário 2021-2027 deve manter-se em termos reais ao nível do quadro atual, adiantando a deputada que “o PSD não pode estar mais de acordo, pois é o interesse nacional que está em causa”.
Tendo em conta esta postura, a parlamentar quis saber o que pretende fazer o governo português caso os países mais robustos em termos económicos persistam nas suas propostas que são contrárias às apresentadas pelos Amigos da Coesão. “Pergunto se irá o governo tomar uma decisão mais dura, ao ponto de vetar o Orçamento de longo prazo da União Europeia? É possível fazê-lo”, frisou a deputada, acrescentando a sua preocupação por não ver avanços nas Cimeiras dos Amigos da Coesão. “Eu diria que são mais amigos de ocasião do que da coesão”, ironizou.
De seguida, Isabel Meirelles focou a sua intervenção no Programa Ferrovia 2020, um Programa que foi anunciado em 2016 e quem passados 4 anos, revelam uma “realidade penosa:
- apenas 11% deste plano está concluído;
- dos 2,7 mil milhões de euros que iriam supostamente revolucionar os transportes ferroviários, a execução financeira é apenas de 12%;
- Só 3 dos 20 projetos estão terminados;
O resultado é francamente mau. A Ferrovia 2020 continua descarrilada”.
A terminar, Isabel Meirelles referiu-se às Redes Energéticas Europeias. Dirigindo-se ao Primeiro-Ministro, a parlamentar questionou por que razão o governo deixou cair 30 projetos nacionais da lista de projetos de interesse comum, que incluem infraestruturas de gás, deixando em isolamento o mercado energético português. “Por estas e por outras é que o investimento português fica, pelo 2 ano consecutivo, no último lugar dos 15 países da coesão, inclusive atrás da Grécia”, sentenciou a deputada.