O Parlamento apreciou, esta quarta-feira, uma Petição da iniciativa da Comissão de Utentes dos Transportes do Seixal com vista a um melhor serviço público, reivindicando renovação e reforço da frota Transtejo/Soflusa. Em nome do PSD, Carlos Silva começou a sua intervenção, dando voz ao aos utentes. “A Ana Paula, auxiliar de ação médica no Egas Moniz, tem de lá estar todos os dias às 8 da manhã, para substituir o colega de turno da noite, regularmente chega depois das 9H, o motivo é a supressão e excesso de lotação dos barcos. O Carlos Alberto falhou uma frequência na faculdade. Na segunda-feira, a Maria João tinha uma consulta para o seu bebé, também não conseguiu chegar a horas. Joaquim Santos, o Presidente da Câmara do Seixal, diz-nos que esta situação de barcos insuficientes e com sucessivas avarias vem de há 2 anos a esta parte. Durante todo o mandato avisou incessantemente o Governo”. De seguida, o social-democrata recordou que a Transtejo e a Soflusa registaram 2.500 reclamações de passageiros em 2018, um ano marcado por forte contestação dos utentes, devido a atrasos e supressões, e em que a frota registou uma taxa de operacionalidade de 55%. “Foi o ano mais negativo em termos de viagens realizadas e recorde em perda de passageiros transportados. Entre janeiro e outubro de 2017, foram suprimidas 1519 viagens na Soflusa. Para a carreira do Seixal basta faltar um barco para a sua capacidade instalada ser reduzida a metade da oferta, de 16 carreiras em hora de ponta, passam a 8. O transporte fluvial no tejo é um fator chave para o desenvolvimento da região, deve constituir uma avenida estrutural da mobilidade diária de milhares de passageiros com origem em Almada, Seixal, Barreiro e Montijo e não o muro intransponível que os cidadãos enfrentam diariamente. Por isso uma palavra, para com estes passageiros que sofrem horrores todos os dias”. Em resposta a este caos, adianta o social-democrata, o governo atuou com a habilidade habitual: promessas, bombas eleitoralistas e anúncios pomposos em 3D. “Faz um anúncio, de aquisição de 10 barcos, a partir de 2020, mas já estamos em abril e ainda não receberam propostas, não analisaram propostas, não adjudicaram, não têm parecer do Tribunal de Contas, não assinaram contrato, não efetuaram a encomenda, não foi feita a construção, mas vejam bem já vem aí o 1º barco em 2020. Segundo previsões, com tudo a correr bem e se os concorrentes não reclamarem, o 1º navio não estará cá antes do final de 2022. E entre 2019 e 2022, qual a resposta do Governo? Zero.”
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