Carlos Peixoto frisa que, apesar do governo, Portugal é um país seguro. Na interpelação ao governo, agendada pelo PSD, sobre "as condições do exercício da segurança em Portugal”, o Vice-Presidente da bancada do PSD alertou que “a segurança é mais uma filha órfã das cativações, o nome envergonhado da austeridade”. De seguida, o parlamentar afirmou que precisamos ter memória para percebermos que, relatórios à parte, o país não pode dormir descansado. “É que o Estado já foi posto à prova várias vezes e claudicou com estrondo. O incidente de Tancos, com roubos misteriosos e perigosos que ninguém tem sido capaz de deslindar, é um triste exemplo do barril de pólvora em que vivemos. Todos vemos e sentimos como se está a esboroar, ativa e rapidamente, o Serviço Nacional de Saúde, Hospital a Hospital, Centro de Saúde a Centro de Saúde, tijolo a tijolo. Cortes cegos e irresponsáveis atiram os portugueses mais vulneráveis para infindáveis listas de espera e colocam a sua integridade física e a sua vida em perigo evidente. A tragédia de Pedrogão, que se julgava única e irrepetível e onde morreram 66 pessoas, repetiu-se quatro meses depois, em 15 e 16 de outubro de 2017, com mais 50 vitimas. Já em 2018, em Monchique, só mesmo o acaso e uma inesgotável devoção dos Bombeiros e da GNR, não matou mais pessoas no maior incêndio de que há registo na região. A imprudente substituição de chefias imediatamente antes da época de incêndios marcou aqueles gigantescos momentos de luto nacional”. Como se não bastasse este histórico, Carlos Peixoto afirmou que com a época de incêndios à porta, “o governo volta agora a brincar com o fogo. Reteve consigo e não entregou às Câmaras 50 milhões de euros destinados à limpeza de terrenos, que continuam, por incúria sua, à espera de arder e de causar um novo caos. Não satisfeito, empurrou com a barriga durante quase dois anos para, só agora, na ponta final da legislatura, mexer na Lei Orgânica da Proteção Civil, criando mais uma vez distúrbios inesperados no setor, instabilidade nos Bombeiros e incerteza quanto à eficácia dos meios de combate. Mas o PM, em vez de se apressar a reparar o que está mal, não, nada disso. Vitimizou-se e veio já, por antecipação, desculpabilizar-se com a ladainha de que, «neste ano eleitoral espera dramatismo e conta ser atacado a cada fogo que surgir», que é como quem diz, o que acontecer não será nunca da responsabilidade do governo, será sempre uma criação e uma alarvidade da oposição”. O Vice-Presidente da “bancada laranja” referiu, de seguida, que “segurança” não é apenas estarmos protegidos da prática de crimes, especialmente dos mais graves, como os homicídios. “Segurança é mais que isso: é sabermos que andamos na rua e que não temos medo que uma estrada colapse, mesmo depois de já se saber que estava em iminente risco de desabamento e de ceifar vidas humanas, como aconteceu em Borba. Segurança é podermos usar um comboio da CP sem receio do motor cair ou de um rodado quebrar, por falta de investimento e de manutenção, provocando um acidente de consequências incalculáveis. É termos pronta assistência médica num qualquer acidente rodoviário ou outro, que não foi o que tiveram os ocupantes do helicóptero do INEM que se despenhou e cujo socorro chegou tarde e às más horas. É não termos helicópteros e ambulâncias paradas, estas por avarias, e outras estacionadas ao lado da A1, na Azambuja, prontas a ser entregues mais à beirinha das eleições para que o ganho seja maior, nem que até lá se percam vidas humanas. É podermos ir a um espaço de diversão noturna e não sermos envolvidos ou confrontados com uma violência descontrolada, a que o Governo responde a passo de caracol, atrasando-se sem desculpa na necessária revisão da lei de segurança privada. É não deixarmos as autoridades policiais à mingua, sem meios, sem dinheiro, sem efetivos e sem motivação para desempenharem as suas funções, como incompreensivelmente acontece com a PJ. É não pretendermos que o SEF aligeire acriticamente procedimentos de entrada no país de estrangeiros aerotransportados não oriundos da EU, potenciando o risco de organização de células terroristas e de associações criminosas em Portugal. É cuidarmos a sério da cibersegurança, coisa que se tarda em fazer. É tratarmos, em parceria com as autarquias, da reabilitação de alguns bairros urbanos mais críticos, para evitar a crescente marginalização da população neles residente. É evitarmos que nas prisões se façam motins e festins com o uso indiscriminado de drogas, álcool e telemóveis, sem guardas por perto para vigiar e travar atos de graves consequências para a tranquilidade pública. É não permitirmos que a sinistralidade rodoviária e as mortes estejam em crescendo, por falta de ações preventivas regulares e de efetivos para as realizar. É promovermos ações concretas que previnam a violência no desporto”. Sublinhando que é em tempos de maior bonança que se preparam as tempestades, Carlos Peixoto apelou aos governantes para que “ponham a mão na consciência, façam um ato de contrição e reconheçam que os portugueses têm direito a muito mais e muito melhor”.
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