O PSD acusou hoje o governo de apresentar a redução dos preços dos passes apenas para Lisboa e Porto sem aumentar os transportes. No debate quinzenal com o Primeiro-Ministro, Fernando Negrão começou por questionar a António Costa se foi “coincidência eleitoral” o governo ter apresentado, esta segunda-feira, a meses de europeias e legislativas, o acordo com os municípios da Área Metropolitana de Lisboa para a redução dos passes sociais. Considerando esta “uma medida eleitoral como nunca se viu”, o líder parlamentar do PSD acusou ainda o executivo de esquecer as outras regiões do país “onde não existem transportes públicos ou estes são incipientes. O que tem a dizer a estes portugueses que pagarão o passe único das Áreas Metropolitanas sem terem direito a nada”, questionou o parlamentar. De seguida, o social-democrata exigiu ao Primeiro-Ministro “não o mínimo, mas um máximo de rigor na governação” e rejeitou que os sociais-democratas sejam contra a aposta nos transportes públicos. “Nós somos a favor do passe único, mas é do verdadeiro, aquele que oferece, juntamente com o passe, os transportes para os portugueses usarem. Os senhores dão um documento aos portugueses, mas não os transportes para usarem no dia a dia”, criticou. A este propósito, o líder parlamentar da “bancada laranja” apontou números de cortes de comboios na CP por falta de manutenção - menos 3.322 no período 2017/2018 - e degradação no Metro, na Carris e nos transportes fluviais. Antes, Fernando Negrão tinha dito que as “boas notícias para Portugal” seriam sempre saudadas pelo PSD, mas acusou António Costa de não ter falado sobre um ponto essencial para a economia e finanças do país: “o aumento de 20 mil milhões de euros da dívida pública na legislatura”. Dirigindo-se ao Primeiro-Ministro, o social-democrata alertou que “basta que a taxa de juro aumente ligeiramente para que o seu governo enfrente problemas de maior gravidade”. E desta vez, refere o deputado, o aumento da carga fiscal não pode ser uma solução: “a carga fiscal chegou ao seu limite. Não pode voltar a usar a carga fiscal para resolver o problema da dívida pública”. A terminar, o líder parlamentar do PSD confrontou o Primeiro-Ministro com o aumento dos combustíveis. Após o aumento do preço da gasolina pela sexta vez consecutiva, que se segue a 12 semanas de aumento do gasóleo, Fernando Negrão colocou em evidência o impacto negativo que esses aumentos têm na vida dos portugueses e das empresas e perguntou a António Costa até quando é que esta situação persistirá. |