Os deputados do PSD estão preocupados com o futuro do Ensino de Português em França. Numa
pergunta dirigida ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, os sociais-democratas afirmam que foi com alguma surpresa viram o governo a aprovar em Conselho de Ministros, esta quinta-feira, o Acordo com França sobre o ensino de português, no preciso momento em que o futuro da língua portuguesa em França está em causa no ensino oficial francês.
De acordo com os deputados, a reforma do “Baccalauréat” (último ciclo do ensino secundário) pretende retirar o ensino da língua portuguesa do estatuto de língua de “especialidade” (LLCE) que será apenas concedido ao ensino do Inglês, Alemão, Espanhol e Italiano. “Esta decisão do Ministério da Educação Francês vai comprometer a «continuidade» do ensino da língua portuguesa, nomeadamente no plano universitário, e muitos dos alunos face a esta situação vão, certamente, optar por escolher o português como língua de opção em detrimento da opção de Língua Viva Estrangeira. Esta reforma já mereceu criticas de vários sectores da comunidade portuguesa em França e, também, de todos aqueles que consideram que o Português para além de ser uma língua falada por 250 milhões de pessoas, possui uma dimensão internacional bem superior a algumas das línguas que o Ministério da Educação Francês reconheceu serem merecedoras do nível de LLCE”.
Face a esta situação, os parlamentares afirmam não entender como é possível que o Governo aprove o referido acordo com a França sem antes procurar defender o futuro do ensino da língua portuguesa naquele país.
Assim, os sociais-democratas pretendem quem o Ministro Augusto Santos Silva diga se tem conhecimento das implicações da reforma do ensino secundário francês para o ensino da língua portuguesa naquele país, se o governo português já efetuou alguma diligência junto do Governo Francês no sentido que a língua portuguesa continue a ser reconhecida como língua de “especialidade” e se o governo tem consciência que ao aprovar este Acordo dá um sinal no sentido contrário daquele que esperariam os cerca de 1,4 milhões de portugueses e lusodescendentes a residir naquele país.