No debate quinzenal com o Primeiro-Ministro, Adão Silva exigiu explicações a António Costa sobre a “trapalhada” que se revelou a solução encontrada para o Novo Banco. De acordo com o Vice-Presidente da bancada do PSD, quando o governo vendeu o Novo Banco, em outubro de 2017, vendeu-o com um mecanismo de capital contingente, uma espécie de garantia, de cerca de 3.890 milhões de euros para eventuais perdas do Banco, a serem usadas até 2025. Com o otimismo próprio do Ministro das Finanças, recorda o social-democrata, Mário Centeno diria 8 meses depois da venda que “se o processo de evolução do novo banco continuar a decorrer como até hoje o número de 3.890 milhões não vai ser atingido”. Contudo, em março de 2019, o Novo Banco voltou a pedir 1.150 milhões de euros e o Ministro das Finanças, que “deixou de respirar otimismo”, ficou surpreendido com a situação e revelou mesmo que «estava à espera de um perfil descendente e saiu um perfil ascendente». Dirigindo-se a António Costa, Adão Silva questionou se também o Primeiro-Ministro estava à espera de mais 800 milhões de euros do aquele que estava previsto. Sublinhando que “péssima foi a forma como o processo da venda aconteceu, uma verdadeira trabalhada”, o Vice da “bancada laranja” voltou a recordar palavras do Ministro das Finanças: «a solução que encontrámos foi difícil, mas tem uma virtude muito grande: tem limites e previsibilidade muito claros sobre os impactos financeiros». De acordo com o Parlamentar, esta previsibilidade traduz-se no seguinte: “passados menos de 2 anos já foi gasta metade da verba disponível como capital contingente. Isto vai ter um limite? Está com possibilidade de garantir aos portugueses que há mesmo um limite”, questionou a António Costa. Dirigindo-se ao Primeiro-Ministro, Adão Silva frisou que o Grupo Parlamentar do PSD tem todo o interesse em ter toda a informação, por isso pediu reiteradamente que essa informação fosse enviada, algo que não aconteceu. “Mas nós insistimos e por isso o Ministro das Finanças vai hoje estar na Comissão a explicar esta matéria. Nós queremos conhecer tudo em nome do interesse dos portugueses”. De seguida, o social-democrata centrou a sua intervenção no Montepio e na idoneidade do Presidente da Associação Mutualista “Parece que estava tudo bem, dizia o Ministro da Segurança Social. Mas o senhor Presidente da República deixou muito claro que é preciso clarificar esta matéria. E é, porque uma associação mutualista que tem 630 mil sócios, que têm ali as suas poupanças, tem de ser obviamente muito escrutinada e quem está à frente desta entidade deve ser altamente escrutinado também, e a idoneidade deve ser muito bem demonstrada”. Depois de perguntar a António Costa o que o levou a mudar de posição e a pretender clarificar esta questão, Adão Silva concluiu a sua intervenção abordando os problemas com o processamento de pensões no Centro Nacional de Pensões. “Pedimos, em setembro de 2018, para que o Ministro da Segurança Social viesse explicar o que está a acontecer com um Centro Nacional de Pensões que demora cada vez mais tempo a processar as pensões. O Ministro não disse nada. Acha normal este comportamento do Ministro? É que estamos a falar de milhares de pensionistas ou potenciais pensionistas. O Estado não está a fazer nenhum favor, o dinheiro é do pensionista. “Quando é que o governo põe termo a esta delonga inusitada da atribuição das pensões”, questionou o deputado.
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