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Fernando Negrão acusa PS e Costa de “meterem na gaveta” a ética republicana
O social-democrata considera que António Costa está a sobrepor os interesses partidários aos interesses do país.
O líder parlamentar do PSD acusou hoje o PS e o primeiro-ministro de terem ‘metido na gaveta’ a ética republicana, apontando como exemplo a recente remodelação do executivo e a tentativa de “atirar areia para os olhos dos portugueses”.
Na abertura das jornadas parlamentares do PSD, que decorrem até sexta-feira no Porto, Fernando Negrão criticou António Costa por ter remodelado o Governo a poucos meses do fim da legislatura, “sobrepondo os interesses meramente partidários aos interesses do país”, e pelas suas escolhas.
“Mas, é sobretudo censurável por uma questão de ética, ao fechar cada vez mais o círculo das escolhas governamentais a critérios de consanguinidade ou de relações familiares – critérios que nenhum parentesco devia ter com um regime democrático consolidado”, criticou.
Fernando Negrão lamentou que o primeiro-ministro não veja problemas “em que o seu Governo esteja cada vez mais enredado nas teias familiares de maridos e mulheres e de pais e filhos”.
“Compreende-se porquê: o problema é de ética republicana, algo que o PS também meteu na gaveta”, apontou, acusando o Governo de fazer um “assalto ao poder”, num ‘remake’ de outros governos socialistas de “má memória”.
O líder parlamentar do PSD deixou, num discurso de cerca de meia hora, duros ataques a quase todas as áreas da governação, em particular nos serviços públicos, e acusou o executivo de ser “muitíssimo hábil a atirar areia para os olhos dos portugueses”.
“Até quando é que o governo acha que os portugueses vão aguentar? Quão cegos o governo acha que os portugueses são, que são enganáveis com mais uns trocos imediatos no bolso, quando todos os serviços públicos lhes falham?”, questionou, acusando António Costa de trocar uma austeridade imposta por “uma austeridade voluntária e dissimulada”.
Fernando Negrão desafiou ainda o Governo a esclarecer as suas intenções em duas matérias na área da banca, referindo-se, em primeiro lugar, ao que chamou “a enorme nebulosa que envolve o Montepio Geral”.
“Afinal o que se passa no Montepio? Onde é que está o ministro Vieira da Silva, que tem a tutela da Associação Mutualista do Montepio?”, questionou, pedindo ao Governo que “dê um sinal de confiança aos mais de 600 mil mutualistas, em vez de se refugiar num silêncio comprometedor”.
Por outro lado, o presidente da bancada do PSD exigiu ao Governo explicações sobre o que pretende com a anunciada mudança da Lei Orgânica do Banco de Portugal, deixando um alerta.
“A independência do Banco de Portugal é uma exigência democrática. Será que este Governo vai tentar a governamentalização deste Banco, à semelhança do que tem tentado com outros reguladores? Fica aqui o aviso de que terá a nossa total oposição”, assegurou.
Fernando Negrão classificou o atual executivo socialista como “o Governo dos pequeninos”: “Dos objetivos pequeninos, das responsabilidades pequeninas, dos erros pequeninos, das medidas pequeninas… e do crescimento pequenino”.
“Só é grande nos anúncios, nas manchetes, na propaganda”, contrapôs.
O líder parlamentar do PSD deixou ainda um prognóstico sombrio para o futuro, antevendo que “o PS vai voltar a deixar o país em mau estado”.
“O PS e a esquerda radical falharam redondamente e, mais uma vez, é no livro socialista que fica escrita a história de mais uma oportunidade perdida. No livro socialista e a na vida dos portugueses”, lamentou.
Numas jornadas que pretendem fazer o balanço entre o estado do país e o modelo de Portugal desejado pelos sociais-democratas, Fernando Negrão antecipou o diagnóstico.
“Nunca o Portugal que temos esteve tão distante do Portugal que queremos”, disse.
Antes de Negrão, o líder do PSD-Porto, Alberto Machado, fez o elogio do presidente do partido – que encerrará as jornadas na sexta-feira -, considerando que Rui Rio “muito tem enobrecido o partido com a sua forma de fazer e de estar na política”.
“Tanto cá [no Porto], como lá, na capital, a demagogia e o populismo, o condicionamento da comunicação social e o snobismo pseudoaristocrático são caminhos perigosos trilhados por alguns que conduzem a uma ditadura camuflada que temos obrigação política, moral e ética de denunciar”, afirmou, sem concretizar a quem se referia.


Europeias: PSD “não tem telhados de vidro” e nunca foi apoiado por forças “anti-Europa”


O líder parlamentar do PSD defendeu ainda que o seu partido “não tem telhados de vidro” em matéria europeia, nem nunca foi parceiro de “forças políticas anti-Europa”, ao contrário do PS.
“O facto é que, ao contrário do Partido Socialista, o PSD é um partido inequívoca e convictamente europeísta. Não temos telhados de vidro na defesa do euro, nem do projeto europeu, nunca fomos parceiros, nem nunca fomos apoiados por forças políticas intrinsecamente anti-Europa e aferradamente contra o euro”, criticou Fernando Negrão.
O líder parlamentar do PSD lembrou ainda declarações de 2011 de Pedro Nuno Santos, atual ministro das Infraestruturas e da Habitação: “Nunca tivemos um ministro – ou secretário de Estado promovido a ministro – que se ‘marimbasse’ para a dívida e para os demais compromissos europeus assumidos por Portugal”.
Negrão aproveitou também para elogiar o cabeça de lista do PSD às europeias, Paulo Rangel, que hoje será o orador convidado de um jantar nas jornadas, que decorrem até sexta-feira no Porto.
“Paulo Rangel não é um candidato pré-fabricado, não é uma criação artificial saída a martelo dos moldes da propaganda do governo de António Costa e que até já tem apalavrado um putativo lugar como comissário europeu”, acusou, numa referência ao número um do PS às europeias, o ex-ministro das Infraestruturas Pedro Marques.
Fernando Negrão manifestou a convicção de que o PSD e Paulo Rangel vão vencer as eleições europeias de 26 de maio e acusou o Governo de fingir “falar grosso à Europa”, mas arriscar-se a perder 7% no próximo quadro comunitário.
“Os socialistas que puseram Portugal a pedir esmola de chapéu na mão são os mesmos que agora atiram a toalha ao chão. Falam muito, mas fazem efetivamente pouco”, acusou.

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