O PSD agendou para esta quinta-feira um debate de atualidade sobre a “Bitola Ferroviária”. Na introdução do debate, Carlos Silva começou por referir que em democracia o final de um mandato coincide normalmente com uma fase de inaugurações. “Com este Governo, como não há inaugurações para fazer, a poucos meses de eleições, com o intuito de disfarçar o que não fez e devia ter feito, somos confrontados com uma avalanche de anúncios de obras que não existem, com promessas de milhares de milhões para tudo e um par de botas, sem qualquer financiamento garantido, sem a reflexão necessária numa espécie de «tudo ao molho e fé em Deus»”. De seguida, o parlamentar frisou que a realidade concreta do dia-a-dia dos portugueses “é muito má” e, ao nível da ferrovia, quando temos comboios que em andamento perdem o motor, “atingimos o impensável”. “Propomos este debate de atualidade porque não vemos, nem ninguém vê espelhado, nesse mesmo plano o desenvolvimento e a modernização da ferrovia, nomeadamente sob a forma da bitola europeia. Em toda a Europa, os corredores ferroviários internacionais, obedecem às mesmas medidas padrão, que proporcionam a mobilidade e a interoperabilidade, tornando os países mais acessíveis. A questão que se coloca é saber se o Governo Português pretende apostar na ferrovia seguindo esse padrão europeu? E a resposta é não. O Governo pretende investir em ferrovia, no percurso internacional, mas em bitola ibérica via única. Bitola esta que deixará de ser ibérica e passará a ser só Portuguesa, porque a Espanha irá, a partir de 2023, abandoná-la e só Portugal de forma isolada ficará com ela, numa espécie de BREXIT ferroviário.” Depois de denunciar as perdas que esta opção acarreta, nomeadamente ao nível das exportações e produtividade da nossa economia, Carlos Silva afirmou que “Espanha já percebeu a vantagem que tem em manter os Portos Portugueses isolados do resto da Europa, por esse motivo, está a apostar numa transformação significativa nos seus transportes ferroviários em bitola europeia”. A terminar, Carlos Silva desafiou o Ministro Pedro Marques a “parar para pensar em que interesse público é que está a pretender acautelar”.
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