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O emprego precário não diminuiu e o fosso salarial não se reduz
Clara Marques Mendes considera que o mérito é sobretudo dos empresários, dos trabalhadores e das condições exteriores excecionalmente favoráveis.
No final do debate sobre a Economia e o Emprego, agendado pelo PSD, Clara Marques Mendes frisou que o governo está deslumbrado com os números do crescimento económico. Reconhecendo que os números são bons, a parlamentar adiantou que estes podiam ser melhores. “A maior parte dos países da União Europeia está a crescer mais do que Portugal. E os países com os quais nos devemos comparar estão praticamente todos a crescer acima dos 3%, mais do que o nosso país. Por que é que isto sucede? Porque estamos a crescer, apenas e só, à boleia do crescimento da Europa. Se as políticas internas ajudassem, Portugal não estaria a crescer apenas 2,7%. Estaríamos a crescer muito mais e com muito maior ambição”.
De seguida, a social-democrata recordou que este crescimento é feito com base no modelo que o PSD sempre defendeu e que o PS sempre contestou. “ Para o Governo, há dois anos, o consumo é que seria o grande garante do crescimento da economia. Dois anos depois, sucede o contrário. Os dois grandes motores do crescimento da nossa economia são o investimento e as exportações. Ou seja, o deslumbramento do governo é, apenas e só, um exercício de arrogância política e intelectual. Afinal, estamos a crescer apesar do governo, sem a ajuda do governo e contra o modelo que o governo defendia. O mérito é sobretudo dos empresários, dos trabalhadores, da Europa e das condições excecionalmente favoráveis que nos sopram do exterior”.
Outro dos deslumbramentos do executivo, refere Clara Marques Mendes, resido nos números do desemprego. “É verdade que há números positivos, na criação de emprego e na redução do desemprego. Mas há uma outra face da verdade que um governo, ainda por cima de esquerda e apoiado pela extrema-esquerda, não pode ignorar: o emprego precário não diminui, o fosso salarial não se reduz e a desigualdade salarial entre homens e mulheres não se atenua nem melhora. A falta de investimento no ensino profissional é uma realidade inquietante. E nem sequer há um esboço de reflexão sobre as tendências do futuro. Ou seja, em matéria de emprego, o governo não se preocupa muito com o futuro e muito menos em ter uma visão estratégica sobre o futuro”.
Dirigindo-se às bancadas da esquerda a deputada enfatizou que precisamos de mais emprego mas também de melhor emprego. “Emprego mais qualificado e melhor remunerado; de emprego que valorize as mulheres e não as discrimine de forma injusta. Precisamos de uma aposta na educação e de um investimento na formação que nos permita encarar com maior sucesso o presente e encarar com redobrada esperança os desafios do futuro. Precisamos de um Governo que seja menos deslumbrado e mais ativo, menos arrogante e mais participativo; menos retórico e mais cooperante com a sociedade civil, com os parceiros sociais e com a concertação social. Em suma, precisamos de um Governo, que seja governo e não a máquina eleitoral do Partido Socialista”.
A concluir, Clara Marques Mendes acusou o governo de ser um “catavento” em matéria de legislação laboral. “Por nós, somos a favor da estabilidade da legislação laboral. Somos a favor de condições mais favoráveis para o investimento, nacional e estrangeiro. Somos a favor de uma maior aposta na capitalização das nossas empresas. Somos a favor de um investimento sério na formação dos trabalhadores de hoje e na melhoria da qualificação dos jovens que desafiam o futuro. Foi por isso que fizemos este debate. Para mostrar as debilidades do Governo. Para afirmar as nossas diferenças, para reafirmar a importância de uma alternativa. Afinal, não precisamos de mais governo, precisamos de um governo melhor”.

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