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“Este foi um ano bem penoso para os portugueses e a responsabilidade é sua que é Primeiro-Ministro”
Hugo Soares contrariou António Costa e desafiou-o a pronunciar-se sobre a coerência do governo em assuntos como a associação Raríssimas, os CTT, o Salário Mínimo Nacional e o Montepio.
No debate quinzenal com o Primeiro-Ministro, num balanço sobre o ano que agora termina, Hugo Soares disse a António Costa que depois de tudo o que passámos “ficou muito claro que este foi um ano bem penoso para os portugueses e a responsabilidade é sua que é Primeiro-Ministro”. Contrariando a opinião do governante, que disse que «este foi um ano saboroso», o social-democrata levou ainda a debate assuntos como a associação Raríssimas, os CTT, Salário Mínimo Nacional ou o Montepio.
No que respeita aos CTT, o líder parlamentar do PSD começou por desafiar o Primeiro-Ministro a dizer, “de uma vez por todas e sem ambiguidades, qual é a posição do governo” em relação aos CTT. “Queria-lhe perguntar se se revê nas palavras da deputada Catarina Martins que diz que os acionistas privados «pilham a empresa e assaltam as suas reservas»? Queria lembrar que a privatização dos CTT estava inscrita no memorando de entendimento que o governo socialista assinou com os credores e quero perguntar se é vontade ou intenção do governo nacionalizar os CTT”, questionou o deputado.
De seguida, o social-democrata abordou várias matérias da alçada/responsabilidade do Ministro Vieira da Silva. No que respeita ao salário mínimo nacional, Hugo Soares lamentou que a concertação social não tenha chegado a um acordo quanto ao aumento do salário mínimo nacional. Dirigindo-se a António Costa, o parlamentar questionou se é verdade ou não que o Primeiro-Ministro, ou alguém do governo, terá dado garantias de que não mexeria na legislação laboral e perguntou qual é o compromisso que o Governo pode assumir sobre aquilo que é a legislação laboral. “Vai ou não reverter a legislação laboral”, indagou.
Tendo ficando sem resposta por parte do socialista, Hugo Soares enfatizou que com esta postura fica claro que “quanto mais se aproxima o final da legislatura e mais fraco está o governo, mais o senhor está na mão PCP e do BE. Agora os acordos que faz na concertação social só duram um ano, porque depende da vontade do PCP e do BE”.
Sobre o caso que envolve a Associação Raríssimas, Hugo Soares começou por acusar Vieira da Silva de ter “ignorado olimpicamente” uma denúncia que chegou aos serviços do Ministério do Trabalho e da Segurança Social em janeiro e lembrou que o Ministro caucionou um protocolo assinado pela Raríssimas, em que se assumia como Fundação e não o era. Contudo, o deputado foi ainda mais longe e lembrou que apesar do código de conduta aprovado pelo governo, Vieira da Silva pertenceu aos órgãos sociais da Raríssimas e tomou medidas sobre a associação já como ministro. “O Ministro violou o código de conduta que o seu Governo aprovou”, questionou o deputado ao Primeiro-Ministro. Perante mais uma pergunta que ficou sem resposta por parte do governante, Hugo Soares declarou que o governo tem “vergonha da resposta”. “Sim, o senhor ministro tomou decisões” e “nos termos do código de conduta” que o Governo fez, o ministro “violou” esse mesmo código, atacou o líder da “bancada laranja”.
A terminar, o social-democrata abordou a participação da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no Montepio. Hugo Soares destacou que a versão apresentada por António Costa não coincide com a da instituição, pelo que pediu verdade política e defendeu a importância de que este assunto “possa ficar esclarecido”.

20-12-2017 Partilhar Recomendar
Hugo Soares questiona António Costa
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