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Balanço da política de saúde das “esquerdas unidas”: “descontrolo, desinvestimento e desespero”
Luís Montenegro referiu que com o regresso do PS ao governo regressaram os calotes.
“Passou mais um ano e meio desde que o Partido Socialista, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda assumiram a governação do País. Esses partidos respondem hoje pelo estado em que se encontra atualmente o nosso Serviço Nacional de Saúde (SNS). Já não é tempo de desculpas ou de alijar responsabilidades para terceiros. Quiseram governar e agora têm de se confrontar com o que estão a fazer ao SNS. E a realidade é avassaladora: um SNS cada vez mais endividado, com serviços cada vez mais degradados, com utentes cada vez mais insatisfeitos e profissionais cada vez mais desmotivados”. Este foi o cenário traçado por Luís Montenegro no encerramento do debate, marcado pelo PSD, sobre a política de saúde.
De seguida, o líder parlamentar do PSD enfatizou que, passado um ano e meio de governo das esquerdas unidas, o balanço da atual política de saúde pode ser sintetizado em três D’s: “descontrolo, desinvestimento e desespero”.
“Descontrolo na execução orçamental, descontrolo nos pagamentos em atraso, descontrolo na dívida. Apesar da propaganda do Governo, a realidade demonstra que a execução orçamental na saúde tem sofrido uma crescente deterioração. Não é só o PSD que o afirma. Há menos de um mês, a Direcção-Geral do Orçamento reconheceu isso mesmo. No ano passado, o montante dos pagamentos em atraso dos hospitais públicos agravou-se 20%. E só nos primeiros quatro meses deste ano, os pagamentos em atraso dos hospitais do SNS pioraram 30% face ao ano anterior. A dívida do SNS às empresas fornecedoras de medicamentos aumentou 24%. No sector dos dispositivos médicos, a evolução não é melhor. Acumulam-se também as dívidas do SNS às corporações de bombeiros, que atingem já os 30 milhões de euros, estando os hospitais a pagar faturas com mais de um ano”. Face a este cenário, Luís Montenegro foi perentório em afirmar: “voltou o PS, voltou os calotes. Só há uma novidade, agora o BE e o PCP batem palmas aos calotes na área da saúde”
No que respeita ao investimento, o social-democrata referiu que o atual governo “fez um corte brutal no investimento público no SNS. Em 2016, o investimento no SNS diminuiu mais de 34%, por comparação com o ano de 2015. E só nos primeiros quatro meses deste ano o investimento do Governo no SNS sofreu uma quebra de 54%, face ao mesmo período de 2016. Cabe perguntar, à senhora deputada Catarina Martins e ao senhor deputado Jerónimo de Sousa, perante esta autêntica hecatombe do investimento público, onde está a esquerda? Como podem o PC e o Bloco ser politicamente tão inconsequentes perante as cirurgias adiadas e os atrasos nas consultas médicas, a falta de medicamentos nos hospitais e as reduções nas comparticipações de medicamentos, as falhas e os encerramentos de ambulâncias na emergência médica e a privatização em curso do serviço de helitransporte do INEM”, questionou.
Em relação ao desespero na área da saúde, Luís Montenegro frisou que ele se nota, desde logo, no governo que decidiu um corte cego de 35% com a aquisição de serviços. “Esta verdadeira medida de austeridade, está bem de ver, vai provocar a falta de profissionais de saúde nos hospitais, como o próprio bastonário da Ordem dos Médicos”.
“O PSD denunciou nesta Interpelação a insofismável contradição entre o discurso político do Governo e dos sues acólitos e a realidade dos factos. Nós continuaremos firmes e fieis ao Estado Social, cientes que os portugueses merecem um governo sério e patriótico e não a troika alegre de Costa, Catarina e Jerónimo. Portugal precisa de um governo sério e patriótico, mas não é de esquerda”.

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